|
Leaf / Flur
Nos cinco anos entre o seu álbum de estreia "Martes" e o seu mais recente "Cosmos",
o mexicano Fernando Corona (a viver em Barcelona), mais conhecido por Murcof, transformou-se
num dos nomes mais respeitados das electrónicas abstractas. Pelo meio houve "Remembranza",
de 2005, obra maior dedicada à mãe que morreu. Nesse disco de peças solenes, as
electrónicas minimalistas harmonizavam-se com música clássica contemporânea (Ligeti,
Gorecki), em temas instrumentais que evocavam vestígios, indícios, tonalidades e
texturas, adoptando títulos como "Recuerdos", "Rios", "Caminos" ou "Reflexos". Dois
anos depois, mergulha no espaço. Embora ainda existam aqui indícios dos ritmos microscópicos
e ruídos digitais que avultavam nas suas obras anteriores, "Cosmos" é outra coisa.
Trabalhando a partir de gravações de instrumentos clássicos e não da reprodução
de amostras de sons dos mesmos, concebe formas electrónicas invulgares e amplas,
com melodias e ruídos a derivarem no mesmo espaço multi-dimensional. É uma música
panorâmica, com profundidade de campo, onde o silêncio é tão eloquente como o som,
num registo de abstracções, matéria orgânica que se move pelo universo lentamente,
rumores longínquos, corpos digitais vogando em procura de auxílio. Desta vez, deu-lhes
títulos como "Cuerpo", "Celeste", "Cielo" ou "Cosmos"
Vítor Belanciano in
Público |
28-09-2007|
Tracks: 1. Cuerpo Celeste 7:232. Cielo 8:17 3. Cosmos I 8:58 4. Cometa 9:39 5. Cosmos II 9:06 6. Oort 12:49 |
2007-11-28
Murcof - Cosmos (4/5)
Subscribe to:
Post Comments (Atom)
No comments:
Post a Comment