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Constellation /
Com 41 anos, Carla Bozulich
é dona de um percurso musical pouco comum e já bastante longo. Começou no punk rock,
como é normal nos currículos deste tipo de personagens, andou pela música electrónica/industrial
com os Ethyl Meatplow e conheceu algum sucesso nos Geraldine Fibbers, praticantes
de rock e country alternativos. Já em nome próprio, explorou ainda mais o apego
ao country com o recomendável "The Red Headed Stranger" (2003), que revê o clássico
com o mesmo nome de Willie Nelson (a lenda do country cantou mesmo em dueto com
Bozulich alguns temas, sem
quaisquer contrapartidas financeiras). Pelo meio há discos experimentais com gente
como Nels Cline (agora nos Wilco) ou Ches Smith (Secret Chiefs 3), uma colaboração
com a amiga Lydia Lunch e outros feitos que complicam ainda mais o enquadramento
estético de Bozulich.
Pedro Rios in
Público |
23-06-2006|
Tracks: 1. Evangelista I2. Steal Away 3. How To Survive Being Hit By LIghtning 4. Inside Sleeps 5. Baby, That’s The Creeps 6. Pissing 7. Prince Of The World 8. Nels’ Box 9. Evangelista II |
2007-12-11
Carla Bozulich - Evangelista (7/10)
Múm - Finally We Are No One (8/10)
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Fat Cat / Ananana
Eis o típico objecto capaz de gerar um fenómeno de culto e de,
simultaneamente, provocar ataques de urticária em muita gente. É quase sempre
assim com discos como "Finally We Are No One". Discos feitos no fio da
navalha das emoções mais delicadas, alheios ao mundo circundante. Alheios a
quase tudo na verdade. Discos que não se preocupam tanto em reflectir a
realidade, mas sim em construir mundos paralelos. Vítor Belanciano in
Público |
24-05-2002|
Tracks: 1. Sleep/swim2. Green Grass of Tunnel 3. We Have a Map of the Piano 4. Don’t Be Afraid, You Have Just Got Your Eyes Closed 5. Behind Two Hills..... a Swimmingpool 6. K/half Noise 7. Now There’s That Fear Again 8. Faraway Swimmingpool 9. I Can’t Feel My Hand Any More, It’s Allright, Sleep Still 10. Finally We Are No One 11. The Land Between Solar Systems |
Stephan Oliva - Ghosts of Bernard Herrmann (4/5)
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Illusions /
A obra de Bernard Herrmann, compositor genial que marcou o trabalho de cineastas como Alfred Hitchcock, Brian de Palma ou Martin Scorsese, continua a inspirar gerações de novos músicos e compositores. Marcada por uma intemporalidade mágica, o conjunto das suas composições possui uma profundidade e simultânea leveza que as transporta ao longo das décadas, deixando marcas indeléveis em todos os que com elas contactam. A mais recente "vítima" desse contacto foi Stephan Oliva, talentoso pianista francês conhecido sobretudo pela sua gravação em trio, "Jade Visions", dedicada ao pianista Bill Evans, e pelas colaborações nos ensembles de Claude Tchamitichian. Em "Ghosts of Bernard Herrmann", Oliva realiza uma emocionante viagem pela obra do compositor, interpretando temas retirados de filmes como "Obsession" de Brian de Palma, "Vertigo" e "Psycho" de Alfred Hitchcock, "Fahrenheit 451"de François Truffaut, "Citizen Kane" de Orson Welles ou "Taxi Driver" de Martin Scorsese. Profundo, brilhante e inspirador. Rodrigo Amado in
Público |
09-11-2007|
Tracks: |
2007-12-05
Animal Collective - Feels (10/10)
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Fat Cat / Flur
Será sacrilégio ou blasfémia falar em "génio" para nos referirmos ao sétimo disco
de quatro miúdos nova-iorquinos? Talvez seja o que apetece fazer, com o coração
nas mãos, tal o arrojo criativo evidenciado pelos Animal Collective no novo "Feels",
quando o magnífico "Sung Tongs" (2004) está ainda fresco na memória de muitos. Se
esse disco foi um dos mais relevantes dos últimos anos, é legítimo acreditar que
"Feels" venha a alcançar um estatuto maior - ou seria justo se assim fosse.
Pedro Rios in
Público |
14-10-2005|
Tracks: 1. Did You See The Words 5:152. Grass 2:59 3. Flesh Canoe 3:44 4. The Purple Bottle 6:48 5. Bees 5:38 6. Banshee Beat 8:22 7. Daffy Duck 7:34 8. Loch Raven 4:59 9. Turn Into Something 6:29 |
2007-11-28
Nine Horses - Money For All (4/5)
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Samadhisound / Ananana
A tentação de lhe colar o rótulo de "restos de colecção" é muita, mas "Money For
All", o mini-álbum dos Nine Horses, que se segue à estreia com "Snow Borne Sorrow",
sobrevive à tentativa de ser rotulado dessa maneira. Em evidência, para além de
novas canções, estão várias releituras concebidas pelo alemão Burnt Friedman (operacional
de serviço em projectos como Nonplace Urban Field, Drome ou Flanger). No centro
das atenções está, evidentemente, a voz aveludada de David Sylvian e aquele tipo
de classicismo elegante que continuamos a associar a álbuns marcantes da sua autoria,
como "Brilliant Trees" (1984) ou "Secrets Of The Beehive" (1987). Mas ela não sobreviria
sem a encenação de quadros nocturnos ensaiados pelos dois cúmplices que o acompanham
na aventura. São os quadros voluptuosos, assentes em ambientes serenos e transitórios
movimentos jazzísticos, que acabam por garantir a estabilidade a todo o edifício.
Há espaço, muito espaço, lentos encadeamentos rítmicos e manchas acústicas diluídas
por entre electrónicas, numa conseguida tentativa de atribuir novas propriedades
à canção de recorte clássico
Vítor Belanciano in
Público |
19-01-2007|
Tracks: 1. Money For All2. Get The Hell Out 3. Banality Of Evil 4. Wonderful World 5. Birds Sing For Their Lives 6. Serotonin 7. Money For All 8. Get The Hell Out |
Murcof - Cosmos (4/5)
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Leaf / Flur
Nos cinco anos entre o seu álbum de estreia "Martes" e o seu mais recente "Cosmos",
o mexicano Fernando Corona (a viver em Barcelona), mais conhecido por Murcof, transformou-se
num dos nomes mais respeitados das electrónicas abstractas. Pelo meio houve "Remembranza",
de 2005, obra maior dedicada à mãe que morreu. Nesse disco de peças solenes, as
electrónicas minimalistas harmonizavam-se com música clássica contemporânea (Ligeti,
Gorecki), em temas instrumentais que evocavam vestígios, indícios, tonalidades e
texturas, adoptando títulos como "Recuerdos", "Rios", "Caminos" ou "Reflexos". Dois
anos depois, mergulha no espaço. Embora ainda existam aqui indícios dos ritmos microscópicos
e ruídos digitais que avultavam nas suas obras anteriores, "Cosmos" é outra coisa.
Trabalhando a partir de gravações de instrumentos clássicos e não da reprodução
de amostras de sons dos mesmos, concebe formas electrónicas invulgares e amplas,
com melodias e ruídos a derivarem no mesmo espaço multi-dimensional. É uma música
panorâmica, com profundidade de campo, onde o silêncio é tão eloquente como o som,
num registo de abstracções, matéria orgânica que se move pelo universo lentamente,
rumores longínquos, corpos digitais vogando em procura de auxílio. Desta vez, deu-lhes
títulos como "Cuerpo", "Celeste", "Cielo" ou "Cosmos"
Vítor Belanciano in
Público |
28-09-2007|
Tracks: 1. Cuerpo Celeste 7:232. Cielo 8:17 3. Cosmos I 8:58 4. Cometa 9:39 5. Cosmos II 9:06 6. Oort 12:49 |
2007-11-27
Mexican Institude of Sound - Pinata (3/5)
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Cooking Vinyl /
MIS ou Mexican Institude of Sound é o projecto de Camilo Lara, DJ, produtor, remixer e antigo executivo da EMI mexicana. "Pinata", o segundo MIS oferece-se como um ensaio de corte e colagem, dançante e brincalhão, um exercício da pós-moderna disciplina da samplagem sobre um desfile de ritmos sul-americanos. A selecção inclui folclore e rap mexicano, cumbia colombiana e funk carioca, à mistura com o usual sortido de acrobacias scratch, samplers de interruptores, sinos, discos riscados e vozes de desenhos animados, sobre batidas house a afins. Para além de meia dúzia de compinchas mexicanos, Lara conta com participações do japonês Fantastic Plastic Machine, dos argentinos Babásonicos e de Chris Frantz, dos Talking Heads. Na maior parte, porém, soa como uma versão latino-americana de Beck ou dos Avalanches. O que, por sua vez, é muito parecido com o que Uwe Schmidt faz desde que há meia dúzia de anos vestiu a pele de Señor Coconut para lançar a versão chilena do "baile alemão". Lara emprega as mesmas premissas, mas num registo menos cerebral e vanguardista, ou mais propício aos refrões "nonsense" para trautear ao volante em hora de ponta, ou para dançar em "comboios" matinais de discotecas xunga-chique.
Luís Maio in
Público |
17-08-2007|
Tracks: 01. Killer Kumbia02. Escribeme Pronto 03. El Microfono 04. Para No Vivir Desesperado 05. La Kebradita 06. A Girl Like You 07. A Todos Ellos 08. Hip Hop No Pares 09. Katia, Tania, Paulina Y La Kim 10. Belludita 11. Mi Negra a Bailal 12. Lala Meda 13. La Kebradita |
Sigur Rós - Hvarf-Heim (3/5)
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EMI /
Passaram dois anos sobre "Takk...", disco que acalmou os corações que se tinham
deixado encantar pelo maravilhoso "Ágætis Byrjun" (2000), assustados pelo negrume
do hermético "()". Os Sigur Rós ainda não têm sucessor de pleno direito para "Takk..."
mas voltam a dar sinais de vida com duas edições em simultâneo: este duplo CD de
temas inéditos e versões de material antigo e o DVD "Heima", um documentário sobre
a digressão que a banda fez na sua terra natal, a Islândia, em 2006.
Pedro Rio in
Público |
02-11-2007|
Tracks: Hvarf 1. Salka 6:112. Hljómalind 4:58 3. Í Gaer 6:28 4. Von 9:17 5. Hafsól 9:50 Heim 1. Samskeyti 5:232. Starálfur 5:30 3. Vaka 5:21 4. Ágætis Byrjun 6:38 5. Heysátan 4:45 6. Von 8:14 |
2007-11-26
Akron/Family - Love Is Simple
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Young God Records /
Se fôssemos ligar à semântica, era suposto que o nome folk desse para tudo, pelo
menos no sentido de folclore, o "lore" do povo - quando muito poderíamos ter dificuldades
na interpretação da palavra "povo". Mas, por alguma razão, a folk atribui-se o sentido
de música com guitarras acústicas e moços a protestar ou a ganir histórias de traições.
João Bonifácio in
Público |
24-04-2007|
Tracks: 01. Love, Love, Love (Everyone) 1:4602. Ed Is A Portal 7:31 03. Don't Be Afraid, You're Already Dead 4:36 04. I've Got Some Friends 3:09 05. Lake Song/New Ceremonial Music For Moms 7:24 06. There's So Many Colors 8:11 07. Crickets 3:59 08. Phenomena 3:46 09. Pony's O.G. 5:20 10. Of All The Things 7:41 11. Love, Love, Love (Reprise) 3:07 |
Patrick Watson - Close To Paradise (4/5)
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V2 Music
Saiu há um ano no Canadá, mas para os incautos europeus um dos álbuns mais surpreendentes
das últimas semanas chama-se "Close To Paradise" e vem assinado por um tal Patrick
Watson, cantor e pianista, ex-estudante de jazz e ex-membro de uma banda de ska
(?), que alguns conhecerão pela participação no último álbum da Cinematic Orchestra.
Grava em nome próprio depois de ter sido convidado para compor música para acompanhar
imagens subaquáticas da fotógrafa Brigitte Henry.
Vítor Belanciano in
Público |
26-10-2007|
Tracks: 01. Close To Paradise02. Daydreamer 03. Slip Into Your Skin 04. Giver 05. Weight Of the World 06. The Storm 07. Mr. Tom 08. Luscious Life 09. Drifters 10. Man Under the Sea 11. The Great Escape 12. Sleeping Beauty 13. Bright Shiny Lights |
2007-11-25
Jens Lekman - Night Falls Over Kortedala
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Jens Lekman - Night Falls Over Kortedala (4/5) Secretly Canadian /
Compõe canções sobre raparigas que não conhece, mas desejava conhecer. No fim de
contas acaba por conhecê-las porque se sente mal a compor canções sobre raparigas
que não conhece. Confusos? Pudera.
Vítor Belanciano in
Público |
02-11-2007|
Tracks: 01. And I Remember Every Kiss 2:5902. Sipping On the Sweet Water 4:11 03. The Opposite of Hallelujah 4:21 04. A Postcard to Nina 5:00 05. Into Eternity 3:45 06. I'm Leaving You Because I Don't Love You 3:48 07. If I Could Cry (it would feel like this) 3:23 08. Your Arms Around Me 5:02 09. Shirin 3:56 10. It Was a Strange Time in My Life 5:08 11. Kanske Ar Jag Kar i Dig 4:43 12. Friday Night At The Drive-In Bingo 4:16 |
Brisa Roché - Takes
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Brisa Roché - Takes (4/5) Discograph /
Parece ser a estação dos espíritos boémios viandantes. Do jovem americano Zach Condon (Beirut) que, em viagem pela Europa, se apaixonou por Paris e pela música dos Balcãs. Do sueco Jens Lekman, que reflecte no seu mais recente álbum sobre os subúrbios de Gotemburgo, e está de partida para a Austrália. Do americano, com costela venezuelana Devendra Banhart, que canta no último álbum como se fosse Caetano Veloso. Ou do americano Patrick Watson a viver em Montreal, no Canadá, agora, enfim, reconhecido na Europa. Parecem estar todos em trânsito. A sua música parece reflectir lugares e paisagens de forma evocadora. Como se através da música pudessem ser transportados aos lugares onde estiveram ou desejavam estar. Música situada entre espaços e pessoas. Como a californiana Brisa Roché, a habitar em Paris, pop solarenga, folk psicadélica, povoada pelo espírito da canção ligeira francesa, mescla de Beach Boys, Johnny Cash e Françoise Hardy, envolvidos pela encantadora preguiça de existir. Ou para a situar no panorama actual, algures entre Devendra Banhart, sem o desvario, e outro espírito em trânsito, a canadiana Feist, que depois de ter estado anos em Berlim, vive em Paris. Depois de um primeiro disco na editora Metro - subsidiária da Blue Note - que actualmente, diz ela, já nada tem a ver consigo, regressa dois anos depois com um óptimo álbum. Sem propósitos subversivos, mas feito com a espontaneidade e simplicidade de alguém que se reencontrou musicalmente, partindo à procura de elementos onde se sentisse à vontade, sabendo que a exposição sem simulacros é aquilo que acabará por distinguir a sua música. Vítor Belanciano in
Público |
02-11-2007|
Tracks: 01. breath in speak out02. heavy dreaming 03. the drum 04. trampoline 05. hand on steel 06. whistle 07. the building 08. without a plan 09. high 10. egyptian 11. halfway on 12. the choice 13. call me 14. pitch black spotlight 15. the mummy |
Sparklehorse - Dreamt for light ...
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Sparklehorse - Dreamt for light years in the belly of a mountain (8/10) Astralwerks / EMI
Danger Mouse obrigou-o a recuperar canções antigas que não tinham entrado em disco,
a resgatar os bocadinhos de som que havia gravado, mesmo que não tivessem estrutura.
Segundo Linkous, Danger Mouse retirava uma guitarra de um canção e punha noutra,
noutro tom, depois de a filtrar, triturar, embelezar.
João Bonifácio in
Público |
13-10-2006|
Tracks: 01. Don't Take My Sunshine Away02. Getting It Wrong 03. Shade And Honey 04. See The Light 05. Return To Me 06. Some Sweet Day 07. Ghost In The Sky 08. Mountains 09. Morning Hollow 10. It's Not So Hard 11. Knives Of Summertime 12. Dreamt For Light Years In The Belly Of A Mountain |
Felt - Stains on a Decade
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Felt - Stains on a Decade Cherry Red /
(...)Mas, muito sinceramente, Dylan e Van Zandt assombram o disco por todo o lado - especialmente o Bob de "Blood on the Tracks" parece ser o espírito-guia de canções como a magistral "She lives by the castel" (neste momento a melhor etcetcetc, o leitor já conhece a cantiga). Dedinho de Mayo? "Não, ele foi o pior produtor do mundo", ri-se. "Coitado, era uma óptima pessoa, mas completamente louco. Na altura em que produzimos o disco ele ficou a morar em minha casa. Certo dia acordou a meio da noite e começou a passar-se. Fez as malas e voltou para Londres. Nunca mais o vi". Nada de grave, até porque Lawrence tirou uma importante lição de vida que, esperemos, o leitor siga: "Nunca confie numa velha estrela psicadélica". De golpe de anca em golpe de anca, "Pictorail Jackson Review" é mais uma obra-prima de minimalismo e estranha beleza. A primeira parte do álbum volta às canções à "Ignite..." (pop indie perfeitas), a segunda atira-se a um cocktail jazz meio negro meio martini, ou seja, martini no escuro. Estava tudo feito? Claro que não. Estavam planeados dez discos, seriam dez discos.Em 88 ainda sairia "Train Above The City", todo da responsabilidade de Duffy, teclas e jazz e mais martinis. Enigmático, mas a espaços delicioso. Também não foi reeditado. E depois, em 89, o fim: "Me and The Monkey On The Moon", última obra-prima, levando ainda mais longe (e aprofundando o eclectismo) de "Ignite..." e da primeira metade de "Pictorial...". Vá-se lá saber porquê, também não foi reeditado. Cumprindo o plano original, os Felt lançaram dez singles em dez anos - e alguns desses singles não faziam parte dos álbuns de estúdio (uma mania estranha que se perdeu nos anos 80). É exactamente essa colecção de singles que "Stains On a Decade" compila. Ouvida assim, dá uma ideia diferente dos Felt, mais eclécticos e experimentadores, capazes de fazer singles orelhudos e simultaneamente estranhos. Há lá uma versão de Brian Wilson e, em "Space blues", ouve-se "I don't wanna give a damn". Também foi posto à venda um DVD, "A Declaration", que musicalmente é irrepreensível - mas meio manhoso em termos de imagem.Fim de conversa, pergunta-se ao homem que um dia cantou "I will be the first man in history to die of boredom" (e que depois dos Felt fundou os deliciosos Denim e os Go-Kart Mozart) o que lhe falta. Resposta: "Ser maior que Dylan". Parece perfeito. João Bonifácio in
Público |
20-02-2004|
Tracks: 01.Something Sends Me To Sleep02.Trails Of Color Dissolve 03.Penelope Tree 04.Sunlight Bathed The Golden Glow 05.Fortune 06.Dismantled King Is Off The Throne 07.Primitive Painters 08.Ballad Of The Band 09.I Didn't Mean To Hurt You 10.I Will Die With My Head In Flames 11.Bandmans On The Rise Again 12.Final Resting Of The Ark, The 13.There's No Such Thing As Victory 14.Be Still 15.Space Blues |
Burial - Untrue
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Burial - Untrue (5/5) Hyperdub / Flur
Em "Untrue", o segundo álbum de Burial, o que não é dito é mais importante do que
aquilo que é dito. O concreto é menos relevante que as suas sombras. O vazio não
é vácuo: é um espaço em aberto, pronto para ser ocupado por memórias, imagens, projecções
do ouvinte. Olha-se à volta e não se vislumbra música mais evocativa.
Vítor Belanciano in
Público |
16-11-2007|
Tracks: 01 Untitled (0:45)02 Archangel (3:59) 03 Near Dark (3:53) 04 Ghost Hardware (4:54) 05 Endorphin (2:57) 06 Etched Headplate (6:00) 07 In Mcdonalds (2:09) 08 Untrue (6:16) 09 Shell Of Light (4:41) 10 Dog Shelter (2:58) 11 Homeless (5:26) 12 UK (1:42) 13 Raver (4:58) |
Amon Tobin - The Foley Room
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Amon Tobin - The Foley Room (4/5) Ninja Tune / Symbiose
Há dez anos, no seu primeiro álbum em nome próprio ("Bricolage"), com a electrónica
a consolidar definitivamente um sentido lúdico, Amon Tobin entregava-se à arquitectura
de batidas herdadas às polirritmias do jazz menos óbvio. Era um disco relativamente
simples, para mais tendo em conta o seguinte e o magnífico "Permutation" (1998):
a paleta dos sons a samplar abriu-se, mais instrumentos foram admitidos à contenda,
e Tobin passou a trabalhar o som de raiz, como que elidindo a linha que separa orgânico
de inorgânico. Em determinadas passagens a música poderia sugerir por um pesadelo
mental mas noutras havia um olho clínico para a melodia.
João Bonifácio in
Público |
06-04-2007|
Tracks: 01 Bloodstone02 Esther's 03 Keep Your Distance 04 The Killer's Vanilla 05 Kitchen Sink 06 Horsefish 07 Foley Room 08 Big Furry Head 09 Ever Falling 10 Always 11 Straight Psyche 12 At The End Of The Day |
Wise in Time - The Ballad Of Den The Men
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Wise in Time - The Ballad Of Den The Men (8/10) Crammed Discs / Megamúsica
Continua a pisar terrenos singulares Ian Simmonds. Ao longo dos anos o músico gaulês
foi conotado com idiomas emergentes, mas manteve sempre uma atitude ambígua em relação
a essas movimentações. Na alvorada dos anos 90, quando a corrente acid-jazz vingava
em Londres, formou os Sandals, projecto inclassificável que se inspirava em diferentes
linguagens (dub, house, rock, jazz) consumando uma esquiva sonoridade dançante.
Entre 1997 e 2002, quando os Kruder & Dorfmeister, Rockers Hi-Fi ou Fila Brazillia
instituíam uma expressão elegante inspirada em processos tecnológicos, Ian Simmonds,
em nome próprio, ou como Juryman, desenvolveu ao longo de cinco álbuns uma música
jazzistica orgânica e vertiginosa.
Vítor Belanciano in
Público |
26-05-2006|
Tracks: 01. The Fox 4:1202. Firing Line 4:42 03. Nine 4:05 04. Lord 5:09 05. Crazy Chair 3:19 06. Backfire Band 3:24 07. Letters 4:49 08. Verfolgen ... 4:36 09. Ballad of Den the Men 4:05 10. The Well 5:02 11. Jah Walker 4:39 12. Part Two 5:27 13. The Station 4:09 |