Passaram dois anos sobre "Takk...", disco que acalmou os corações que se tinham
deixado encantar pelo maravilhoso "Ágætis Byrjun" (2000), assustados pelo negrume
do hermético "()". Os Sigur Rós ainda não têm sucessor de pleno direito para "Takk..."
mas voltam a dar sinais de vida com duas edições em simultâneo: este duplo CD de
temas inéditos e versões de material antigo e o DVD "Heima", um documentário sobre
a digressão que a banda fez na sua terra natal, a Islândia, em 2006.
No primeiro disco, "Hvarf" (significa "desaparecido"), há três canções inéditas
e versões de "Von" e "Hafsól", dois temas contidos em "Von" (1997), o disco de estreia
do grupo, mais experimental e negro do que os álbuns que se lhe seguiriam - a primeira,
que em "Von" era um exercício quase impressionista e tímido, transforma-se em algo
épico, enquanto "Hafsól", clássico dos concertos do grupo, põe o baixo, percutido
com uma baqueta, em primeiro plano.
Entre as inéditas, o destaque vai inteirinho para "Í gær", sôfrega de tanto rugir
eléctrico. "Salka" também merece repetidas audições: frase simples na guitarra eléctrica
a conduzir o tema, bateria discreta, a voz de Jónsi Birgisson com a doçura habitual,
a mesma desenvoltura quase pop e luminosa que "Takk..." trouxe para a música do
grupo. "Hljómalind" é o mais previsível dos três inéditos, com a tradicional dinâmica
calmaria-tempestade que caracteriza os Sigur Rós.
O segundo disco ("Heim", casa) traz seis canções dos quatro discos do grupo interpretadas
num concerto acústico intimista. Reduzida aos seus elementos mais básicos e sem
a qualidade quase panorâmica que atinge em modo "eléctrico", a música dos Sigur
Rós perde alguma beleza e densidade.
Mesmo nos temas novos, "Hvarf-Heim" não traz surpresas de maior à sonoridade dos
Sigur Rós, mas nos islandeses a previsibilidade é também sinónimo de território
frutuoso
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