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Illusions /
A obra de Bernard Herrmann, compositor genial que marcou o trabalho de cineastas como Alfred Hitchcock, Brian de Palma ou Martin Scorsese, continua a inspirar gerações de novos músicos e compositores. Marcada por uma intemporalidade mágica, o conjunto das suas composições possui uma profundidade e simultânea leveza que as transporta ao longo das décadas, deixando marcas indeléveis em todos os que com elas contactam. A mais recente "vítima" desse contacto foi Stephan Oliva, talentoso pianista francês conhecido sobretudo pela sua gravação em trio, "Jade Visions", dedicada ao pianista Bill Evans, e pelas colaborações nos ensembles de Claude Tchamitichian. Em "Ghosts of Bernard Herrmann", Oliva realiza uma emocionante viagem pela obra do compositor, interpretando temas retirados de filmes como "Obsession" de Brian de Palma, "Vertigo" e "Psycho" de Alfred Hitchcock, "Fahrenheit 451"de François Truffaut, "Citizen Kane" de Orson Welles ou "Taxi Driver" de Martin Scorsese. Profundo, brilhante e inspirador. Rodrigo Amado in
Público |
09-11-2007|
Tracks: |
2007-12-11
Stephan Oliva - Ghosts of Bernard Herrmann (4/5)
2007-11-28
Nine Horses - Money For All (4/5)
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Samadhisound / Ananana
A tentação de lhe colar o rótulo de "restos de colecção" é muita, mas "Money For
All", o mini-álbum dos Nine Horses, que se segue à estreia com "Snow Borne Sorrow",
sobrevive à tentativa de ser rotulado dessa maneira. Em evidência, para além de
novas canções, estão várias releituras concebidas pelo alemão Burnt Friedman (operacional
de serviço em projectos como Nonplace Urban Field, Drome ou Flanger). No centro
das atenções está, evidentemente, a voz aveludada de David Sylvian e aquele tipo
de classicismo elegante que continuamos a associar a álbuns marcantes da sua autoria,
como "Brilliant Trees" (1984) ou "Secrets Of The Beehive" (1987). Mas ela não sobreviria
sem a encenação de quadros nocturnos ensaiados pelos dois cúmplices que o acompanham
na aventura. São os quadros voluptuosos, assentes em ambientes serenos e transitórios
movimentos jazzísticos, que acabam por garantir a estabilidade a todo o edifício.
Há espaço, muito espaço, lentos encadeamentos rítmicos e manchas acústicas diluídas
por entre electrónicas, numa conseguida tentativa de atribuir novas propriedades
à canção de recorte clássico
Vítor Belanciano in
Público |
19-01-2007|
Tracks: 1. Money For All2. Get The Hell Out 3. Banality Of Evil 4. Wonderful World 5. Birds Sing For Their Lives 6. Serotonin 7. Money For All 8. Get The Hell Out |
Murcof - Cosmos (4/5)
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Leaf / Flur
Nos cinco anos entre o seu álbum de estreia "Martes" e o seu mais recente "Cosmos",
o mexicano Fernando Corona (a viver em Barcelona), mais conhecido por Murcof, transformou-se
num dos nomes mais respeitados das electrónicas abstractas. Pelo meio houve "Remembranza",
de 2005, obra maior dedicada à mãe que morreu. Nesse disco de peças solenes, as
electrónicas minimalistas harmonizavam-se com música clássica contemporânea (Ligeti,
Gorecki), em temas instrumentais que evocavam vestígios, indícios, tonalidades e
texturas, adoptando títulos como "Recuerdos", "Rios", "Caminos" ou "Reflexos". Dois
anos depois, mergulha no espaço. Embora ainda existam aqui indícios dos ritmos microscópicos
e ruídos digitais que avultavam nas suas obras anteriores, "Cosmos" é outra coisa.
Trabalhando a partir de gravações de instrumentos clássicos e não da reprodução
de amostras de sons dos mesmos, concebe formas electrónicas invulgares e amplas,
com melodias e ruídos a derivarem no mesmo espaço multi-dimensional. É uma música
panorâmica, com profundidade de campo, onde o silêncio é tão eloquente como o som,
num registo de abstracções, matéria orgânica que se move pelo universo lentamente,
rumores longínquos, corpos digitais vogando em procura de auxílio. Desta vez, deu-lhes
títulos como "Cuerpo", "Celeste", "Cielo" ou "Cosmos"
Vítor Belanciano in
Público |
28-09-2007|
Tracks: 1. Cuerpo Celeste 7:232. Cielo 8:17 3. Cosmos I 8:58 4. Cometa 9:39 5. Cosmos II 9:06 6. Oort 12:49 |
2007-11-26
Patrick Watson - Close To Paradise (4/5)
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V2 Music
Saiu há um ano no Canadá, mas para os incautos europeus um dos álbuns mais surpreendentes
das últimas semanas chama-se "Close To Paradise" e vem assinado por um tal Patrick
Watson, cantor e pianista, ex-estudante de jazz e ex-membro de uma banda de ska
(?), que alguns conhecerão pela participação no último álbum da Cinematic Orchestra.
Grava em nome próprio depois de ter sido convidado para compor música para acompanhar
imagens subaquáticas da fotógrafa Brigitte Henry.
Vítor Belanciano in
Público |
26-10-2007|
Tracks: 01. Close To Paradise02. Daydreamer 03. Slip Into Your Skin 04. Giver 05. Weight Of the World 06. The Storm 07. Mr. Tom 08. Luscious Life 09. Drifters 10. Man Under the Sea 11. The Great Escape 12. Sleeping Beauty 13. Bright Shiny Lights |
2007-11-25
Jens Lekman - Night Falls Over Kortedala
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Jens Lekman - Night Falls Over Kortedala (4/5) Secretly Canadian /
Compõe canções sobre raparigas que não conhece, mas desejava conhecer. No fim de
contas acaba por conhecê-las porque se sente mal a compor canções sobre raparigas
que não conhece. Confusos? Pudera.
Vítor Belanciano in
Público |
02-11-2007|
Tracks: 01. And I Remember Every Kiss 2:5902. Sipping On the Sweet Water 4:11 03. The Opposite of Hallelujah 4:21 04. A Postcard to Nina 5:00 05. Into Eternity 3:45 06. I'm Leaving You Because I Don't Love You 3:48 07. If I Could Cry (it would feel like this) 3:23 08. Your Arms Around Me 5:02 09. Shirin 3:56 10. It Was a Strange Time in My Life 5:08 11. Kanske Ar Jag Kar i Dig 4:43 12. Friday Night At The Drive-In Bingo 4:16 |
Brisa Roché - Takes
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Brisa Roché - Takes (4/5) Discograph /
Parece ser a estação dos espíritos boémios viandantes. Do jovem americano Zach Condon (Beirut) que, em viagem pela Europa, se apaixonou por Paris e pela música dos Balcãs. Do sueco Jens Lekman, que reflecte no seu mais recente álbum sobre os subúrbios de Gotemburgo, e está de partida para a Austrália. Do americano, com costela venezuelana Devendra Banhart, que canta no último álbum como se fosse Caetano Veloso. Ou do americano Patrick Watson a viver em Montreal, no Canadá, agora, enfim, reconhecido na Europa. Parecem estar todos em trânsito. A sua música parece reflectir lugares e paisagens de forma evocadora. Como se através da música pudessem ser transportados aos lugares onde estiveram ou desejavam estar. Música situada entre espaços e pessoas. Como a californiana Brisa Roché, a habitar em Paris, pop solarenga, folk psicadélica, povoada pelo espírito da canção ligeira francesa, mescla de Beach Boys, Johnny Cash e Françoise Hardy, envolvidos pela encantadora preguiça de existir. Ou para a situar no panorama actual, algures entre Devendra Banhart, sem o desvario, e outro espírito em trânsito, a canadiana Feist, que depois de ter estado anos em Berlim, vive em Paris. Depois de um primeiro disco na editora Metro - subsidiária da Blue Note - que actualmente, diz ela, já nada tem a ver consigo, regressa dois anos depois com um óptimo álbum. Sem propósitos subversivos, mas feito com a espontaneidade e simplicidade de alguém que se reencontrou musicalmente, partindo à procura de elementos onde se sentisse à vontade, sabendo que a exposição sem simulacros é aquilo que acabará por distinguir a sua música. Vítor Belanciano in
Público |
02-11-2007|
Tracks: 01. breath in speak out02. heavy dreaming 03. the drum 04. trampoline 05. hand on steel 06. whistle 07. the building 08. without a plan 09. high 10. egyptian 11. halfway on 12. the choice 13. call me 14. pitch black spotlight 15. the mummy |
Amon Tobin - The Foley Room
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Amon Tobin - The Foley Room (4/5) Ninja Tune / Symbiose
Há dez anos, no seu primeiro álbum em nome próprio ("Bricolage"), com a electrónica
a consolidar definitivamente um sentido lúdico, Amon Tobin entregava-se à arquitectura
de batidas herdadas às polirritmias do jazz menos óbvio. Era um disco relativamente
simples, para mais tendo em conta o seguinte e o magnífico "Permutation" (1998):
a paleta dos sons a samplar abriu-se, mais instrumentos foram admitidos à contenda,
e Tobin passou a trabalhar o som de raiz, como que elidindo a linha que separa orgânico
de inorgânico. Em determinadas passagens a música poderia sugerir por um pesadelo
mental mas noutras havia um olho clínico para a melodia.
João Bonifácio in
Público |
06-04-2007|
Tracks: 01 Bloodstone02 Esther's 03 Keep Your Distance 04 The Killer's Vanilla 05 Kitchen Sink 06 Horsefish 07 Foley Room 08 Big Furry Head 09 Ever Falling 10 Always 11 Straight Psyche 12 At The End Of The Day |